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O Lugar das Árvores Tristes

O Lugar das Árvores Tristes

Escritora

A cru

Abrir as comportas e deixar a escrita fluir. Hoje é o que vai acontecer.

Há muito que não escrevo aqui. Once upon a time, os blogs eram A Coisa. Depois, deixaram de ser. Vieram as redes sociais, muito mais imediatas, muito mais fáceis. Entras numa porta, dás a volta ao mundo, não tens de andar a fazer escalas, vai tudo a eito. Até te cansares. Eu também entrei nessa rodinha de hamster – a minha é o Instagram, é sabido.

Sinto falta de alguns blogs – da nata dos blogs, da velha guarda, dos que nasceram para ser blogs e não catálogos: do 100nada da insuperável Catarina, do E-motions da minha Lia (mas com esta tenho conversas-de-blog quase todos os dias), do Dias Assim da minha Sofia (muito parecido com o que se passa com a Sofia, só que menos frequente porque não moramos na mesma rua), do Casca d’Ovo, da minha Susana, da Ruiva e de tantas outras miúdas que se revelaram naquela altura. (Parêntesis para dizer que não tenho saudades nenhumas dos trolls, de pessoas que se divertiam a ser violentamente bullies e que, hoje em dia, se apresentam como reputadíssimas sumidades em diversas áreas – mas o problema é meu, que tenho uma memória do caraças e que acho sempre muito, muito reles a falta de humildade da ausência de um pedido de desculpas, mais ainda quando até temos uma grande amiga em comum.)

Ao longo do tempo, dei por mim demasiado presa a scrolls sem sentido. Entretanto, o Covid bateu-me à porta e o mal-estar fez-me pousar o telefone. Resultado: livros lidos como há muito não acontecia (os primeiros seis do ano estão aqui). Passou o Covid, ficou a pouca vontade de scrolls e de horas no Whatsapp.

Entretanto, e como sou sempre aquela que chega tarde à festa, andei entre Outubro e Dezembro a ver o Game of Thrones e, ao contrário do que eu imaginava, adorei aquilo. Curiosamente, aconteceu-me o mesmo com Peaky Blinders, que vi há um ano assim de rajada. Portanto, duas das minhas séries preferidas de sempre foram séries que eu recusei ver quando saíram porque embirrei com aquilo e achei que não eram para mim. Esperta.

Próximo assunto: livro número dois. Sou mestre na arte de me enfiar por caminhos apertados e, mais vezes ainda, em becos. Depois congelo e fico dois meses a olhar para a mesma página, sem saber o que fazer a seguir. Acabou de me acontecer. Como é que resolvi o problema? Não resolvendo. Dei a cena por terminada e avancei. Simples assim.

Acontece que eu sou como a realeza: tenho vários nomes do meio. A saber: Medo de Falhar Perfeccionismo Levado ao Extremo Procrastinação Pavor de Desiludir Pessoas. Portanto, o que acontece quando congelo é… nada. Fico só ali, tipo glaciar, imóvel, absolutamente incapaz de reagir.

Acontece também que já tenho idade para ter juízo e, portanto, já reconheço os sinais. E, quando começo nisto, tenho de reagir. Forço-me a escrever, forço-me a mexer-me. De-va-ga-ri-nho. Sinto que preciso de voltar ao meu ritmo. Sinto que preciso de parar de viver para agradar aos outros e que tenho de começar a pôr-me em primeiro lugar (com as minhas amigas uso imenso a analogia das máscaras de oxigénio nos aviões – primeiro pomos a nossa, só depois pomos nas crianças, porque se não estivermos bem, não conseguimos ajudar ninguém -, mas a teoria é uma coisa maravilhosa que nem sempre se aplica a nós, não é?).

Eu avisei que isto ia ser comporta aberta. Digamos que só passou um fiozinho e que haveria mais a dizer. Mas, bom, por hoje chega. Acho eu.

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