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O Lugar das Árvores Tristes

O Lugar das Árvores Tristes

Escritora

Estes dias | 12

À noite, deitada na cama, Alzira lutava com a dificuldade em adormecer. Estava inquieta, cansada da presença de Esperança, de quem não sabia como se livrar. Já tentara tudo: pedir educadamente e ameaçar. Nada funcionara. Sentia-se refém de uma estranha na sua própria casa e a agonia crescia-lhe no peito.

Lançou a mão à gaveta da mesinha de cabeceira. Teria de se acalmar. A descarga de endorfinas trataria de a adormecer a seguir. Tacteou a gaveta inteira. O objecto lilás não estava lá. Levantou-se num salto. Fechou os olhos e voltou ao momento em que o guardara ali. Seria possível que se tivesse distraído e, em vez de o arrumar na gaveta, o tivesse deixado no bolso da bata? Não era habitual, mas, com os nervos com que andava, era possível.

Lançou-se à bata. Bolso vazio. Mau… Voltou à gaveta. Retirou-a dos encaixes. A única coisa, além de pagelas e papéis vários, era um pacote de lenços de papel. Nada de objecto lilás.

Deu voltas à cabeça, a pensar no que poderia ter levado ao desaparecimento do objecto. A única resposta possível era Esperança. Saiu do quarto com estrépito, em direcção a um confronto inevitável.

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