Primeiro livro já disponível

O Lugar das Árvores Tristes

O Lugar das Árvores Tristes

Escritora

Estes dias | 11

Na televisão, as notícias não eram animadoras. O país chegara ao ponto de precisar de policiamento constante. O Estado decidira que todas as cidades seriam alvo de patrulhamento: pares de polícias fariam rondas casa a casa, na tentativa de identificarem todas as pessoas que não se comportassem em conformidade com o que fora decretado semanas antes. 

Alzira tentara novamente mandar Esperança embora, afinal bastaria que atravessasse o patamar numa altura em que a polícia não estivesse por perto. A mulher continuava a recusar a deslocação. Sabia que, assim que entrasse em casa, o marido faria um alarido tal que as autoridades saberiam que tinha sido cometido um crime ali. Recusava-se a arriscar e cada vez estava mais intrigada com o modo de vida daquela vizinha solitária e misteriosa.

Numa altura em que Alzira estava demorada a tomar banho, Esperança entrou-lhe no quarto e foi direita às gavetas da mesinha de cabeceira. O objecto lilás estava guardado no fundo, como se estivesse escondido. Esperança pegou nele e estranhou-lhe o toque aveludado. Era emborrachado e ela nunca tinha tocado em nada assim. Carregou num botão e o objecto começou a tremer, fazendo um zumbido cadenciado. O barulho que ouvira dias antes. Afinal, o que vibrava não era um telefone. Deixou de ouvir o barulho do esquentador. Guardou o objecto mo bolso do avental e saiu do quarto silenciosamente. Haveria de descobrir para que servia aquilo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *