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O Lugar das Árvores Tristes

O Lugar das Árvores Tristes

Escritora

No início era o Verbo

“Não é como começa; é como acaba.”

Esta afirmação, quando aplicada a coisas como futebol, investimentos, cursos, etc., é muito verdadeira. O que importa é o resultado final, e não tanto o ponto de partida. 

Quando aplicada à escrita… bom, nem por isso…

“O paraíso deve consistir no cessar da dor, disse Elias Gro quando o fim se aproximava.” – João Tordo, O Luto de Elias Gro.

“Quando eu era mais jovem e mais vulnerável, o meu pai deu-me um conselho que muitas vezes volta à minha mente.” – F. Scott Fitzgerald, O Grande Gatsby.

“No dia seguinte ninguém morreu.” – José Saramago, As Intermitências da Morte.

Na literatura, são milhares os exemplos de óptimas frases de abertura. Escolhi três que me são muito queridas e de que nunca me esqueci e isto, só por si, prova quão bem urdidas são.
Para mim, ter uma frase inicial soberba é fundamental. Já demorei horas (ho-ras!) à procura das palavras exactas para isto. Porque, para mim, a primeira frase de um livro pode significar trazê-lo para casa ou deixá-lo na livraria. Isto é tão mais verdadeiro quanto mais desconhecido o livro for para mim. Imaginem: vou à FNAC e, na zona dos livros de autores nacionais (onde me demoro sempre muito, porque adoro descobrir o que se anda a escrever por cá), deparo-me com um livro acerca do qual não sei nada, escrito por um autor desconhecido para mim. 

Em primeiro lugar, a capa: importa, sim. É o primeiro impacto e já comprei imensos livros por culpa das suas boas capas (e tenho a certeza de que já terei deixado escapar outros tantos pela razão inversa: capas feias que dói, sem o mínimo cuidado estético ou comercial).

Depois, a sinopse. Para mim, é das coisas mais difíceis de escrever – e foi a que mais neurónios me queimou, quando tive de escrever uma para enviar para as editoras a quem apresentei o  meu livro.

Finalmente, a frase inicial. Até posso não ter sido ainda conquistada pela capa nem pela sinopse, mas se a frase inicial for boa… o livro vem comigo.

Portanto, sugestão de amiga: gastem tempo na vossa primeira frase, mastiguem-na, trabalhem-na, vejam e revejam. Diria mais: o primeiro parágrafo tem de ser uma droga que deixa o vosso leitor agarrado e a querer mais. E mais. E mais. 

Deixo-vos duas perguntas. A primeira: regressem às frases de abertura que pus ali em cima e digam-me: continuariam a ler aqueles livros?

“Isabel não tinha medo dos mortos.” – e este? Continuariam a ler ou deixá-lo-iam ficar na livraria?

(Ah, e sabem o que é que começa com a frase que usei como título deste post? Respondam-me às três perguntas na caixa de comentários, please!) 

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