Primeiro livro já disponível

O Lugar das Árvores Tristes

O Lugar das Árvores Tristes

Escritora

O meu mar é o das palavras.
Escrevo porque não sei viver de outra forma.
Escrevo porque tenho dentro de mim
inúmeras histórias que precisam de ser contadas.

Estes dias | 11

Na televisão, as notícias não eram animadoras. O país chegara ao ponto de precisar de policiamento constante. O Estado decidira que todas as cidades seriam alvo de patrulhamento: pares de polícias fariam rondas casa a casa, na tentativa de identificarem todas as pessoas que não se comportassem em conformidade com o que fora decretado semanas […]

Estes Dias | 10

Esperança tinha vários problemas de saúde. Falta de audição não era um deles. Baixou o som da televisão quando lhe pareceu ouvir uma tremedeira, quase como se fosse um telemóvel a vibrar. Esperou para ver se percebia de onde vinha o som. Levantou-se do sofá e foi percorrendo a casa devagarinho, encostando o ouvido às […]

Escritores em apuros #3 – Personagens

Já disse isto inúmeras vezes: para mim, o que faz um livro ser maravilhoso são as personagens que o habitam. Mais do que um enredo magistralmente bem construído, amo personagens com sumo, com  dúvidas, com dramas, com defeitos, com múltiplas camadas e dimensões. E quando as personagens são assim, é muito mais fácil criar um […]

Estes Dias | 9

Alzira trancou-se no quarto. O barulho da televisão ligada no programa da manhã da apresentadora histriónica era só mais uma coisa a beliscar-lhe os nervos, já bastante esfrangalhados pela curta estadia da vizinha. Deitou-se em cima da cama e fixou um ponto no tecto. Contou até 10. Depois até 50. Valia tudo para tentar acalmar-se. […]

Escritores em apuros #2 – Marcas e Referências

Há uns dias, em conversa com a Susana, uma jovem escritora que está agora a trabalhar no seu primeiro livro, ela perguntou-me se podemos mencionar marcas e referências verdadeiras nos nossos livros. Conversámos um bocadinho sobre isto e eu achei que era um bom tema para cristalizar por aqui. Vamos a isso? Portanto, quando escrevemos […]

Escritores em apuros #1 – Diálogos

Quando comecei a escrever a sério, a trave em que eu bati foi esta: os diálogos. Muito por culpa das novelas (da TVI), a minha esquisitice com diálogos foi ficando apurada. Se já perderam vinte minutos da vossa vida a ver aquilo, sabem que às vezes há muito engelhar de testa. Da nossa testa. Vergonha alheia […]

Estes Dias | 8

Alzira arrumou a cozinha quando Esperança acabou o pequeno-almoço. Sentada num banco, a vizinha trauteava uma música antiga e os nervos de Alzira a enlearem-se como novelos de lã nas patas de gatos ariscos. Não havia forma nenhuma de olhar para aquela situação sob uma perspectiva positiva. Na televisão, continuavam os directos dos vários pontos […]

Estes Dias | 7

Esperança sentou-se à mesa, procurando o saco do pão com o olhar. Alzira mirava-a de lado, sem abrir a boca. Não queria crer que aquela mulher achasse que iam partilhar um pequeno-almoço, como companheiras de casa. Foi exactamente isso que Esperança fez. Perguntou a Alzira onde estavam as canecas, mas não esperou pela resposta — […]

O poder do NÃO

Na carreira de um escritor, a palavra mais ouvida é “não”. Editoras que recusam livros são a coisa mais comum. Nem todos os livros que se escrevem são bons (e, mesmo assim, muitos destes são editados, mas hoje não vamos falar sobre isso – embora me deixe lixada com F saber da carrada de porcaria […]

Estes Dias | 6

Quando perdeu a esperança de que Esperança se pusesse a andar, Alzira vasculhou o fundo do roupeiro à procura de uma almofada e de um cobertor. Não queria tornar a estadia da mulher demasiado confortável, mas a sua educação não lhe permitia ser má anfitriã. Esperança instalou-se no sofá, pediu a Alzira que lhe ajeitasse […]

Sobre Mim

Sobre mim

O meu mar é o das palavras.

Escrevo porque não sei viver de outra forma. Escrevo porque tenho dentro de mim inúmeras histórias que precisam de ser contadas.

Inspiro-me em tudo o que me rodeia, nas pessoas com quem me cruzo, nos livros que leio, nos momentos que acontecem fora da literatura. Depois transformo tudo isto em realidades minhas, que passam a ser do mundo assim que as converto em palavras.

Talvez fosse feliz a fazer outra coisa qualquer. Mas escrever é a única coisa que me imagino a fazer para sempre.